A primiera noite na Noite

Julho 5, 2008 at 11:42 am (A Noite)

A primeira noite na Noite.

Como eu já devo ter contado mil vezes, Fátima, a garota de programas me resgatou à dignidade mínima me dando duas calças, três camisas e um par de sapatos apertados cuja marca eu ainda tenho em meus pé esquerdo…
E fez mais. Arranjou-me um emprego de lavador de pratos na antiga boate Louvre.
Na primeira noite eu deixava para trás muita gente. Colegas de infortúnios e mesmo alguns amigos, embora poucos, mas eu deixava-os, como quero crer,  sem olhar para trás…
Ou não foi bem assim. A seu juízo
Havia uma menina em nosso grupo, havia várias, que eu achava particularmente bonita e pensei nela com certo remorso.
Mas o fato é que me deparei com um mundo cheio de sons, luzes coloridas e mulheres belíssimas que viam em mim um “bebê” que elas adotariam com extremado desvelo…
E foi um subir e descer de escadas, enquanto todos verificavam se eu era ou não “esperto” e a noite passou rápida.
Veloz.
E eu fui me esquecendo de meus companheiros de fome e de frio, de bordoada e camburão, de medo e valentia, de noites de brinquedos, nós éramos felizes ali, nos protegendo mutuamente, alimentando-nos, auxiliando-nos, como  um bando, sim, um bando.
Éramos, nós, cerca de 14 pessoas, por nós mesmos escolhidas e agrupadas, formando um bando que, vez por outra, a polícia desbandeava (neologismo meu, se me permitem) por alguns dias…
Isso tudo foi o que esqueci…
…não, foi no que pensei quando a noite acabou e ainda havia panelas cheias de comida que o cozinheiro determinou que fosse jogada fora.
Em um segundo me lembrei de tudo isso, uma lágrima aflorou em meus olhos.  Pensei nos meus amigos, naqueles anos de fome, pensei em tudo.
Minha primeira noite na noite falou-me da iniqüidade dos homens.
Aprendi isso com pouco menos de dezoito anos

 

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Humanos mas inconscientes

Julho 4, 2008 at 11:24 am (Puto da vida)

 
A despeito de toda a problemática à minha volta sou forçado a escrever. Não posso, não devo, pelo bem de minha saúde, me esforçar além de um certo limite, que já não é tão longo…
Tenho acompanhado, estarrecido, o especial que o jornal nacional tem feito sobre reprodução assistida e não posso deixar de fazer minhas considerações…
A reprodução assistida é uma loteria de muitas facetas. Se Pega alguns óvulos, um monte de espermatozóides, faz-se um caldo e, se tudo correr bem, brotam cinco ou oito embriões…
Na minha modesta visão das coisas, cinco ou oito vidas humanas. Começa-se então, a barbárie.Somente três são escolhidos, a principio. Os mais fortes. Isso, para mim, é Eugenismo. Depois, das três remanescentes, descartam-se mais duas vidas e uma delas é inserida no útero da mulher que deseja ter um filho.É fato que está vida pode decidir-se por se multiplicar por cinco, por exemplo, mas as mortes anteriores não são apagadas com isso.
Quanto se gastou? R$ 750.000,00.
Ora, com esta importância você adota e educa até a formação superior umas três crianças mirradas, destas que campeiam pelas ruas de São Paulo, pedindo dinheiro nos faróis ou tentando uma gorjeta depois de lavar o vidro de um carro…

Mas crianças abandonadas há em qualquer lugar.
Que desejo visceral é este de ter um filho que não pode ser substituído por uma criança órfã de pai e mãe, desdenhada pela sociedade e abandonada pelo Governo?

Será o desejo mesquinho de se “perpetuar o “próprio sangue?”

Ou será que é inaceitável criar uma criança “sem boa origem”?

O que seria esta “boa origem?”

Não têm, estas pessoas, o mesmo potencial que cada um de nós carrega embutido em si?

E tudo o que lhes falta não é a oportunidade, o lar asseado, o carinho de mãe virtuosa e abnegada e os rigores de um pai honesto e digno?

São perguntas que ninguém ousa responder. Porque a resposta é óbvia.

Tamanho empenho tem base no egoísmo e no orgulho, catalisadores de toda a miséria humana, de toda tragédia humana, de toda a desgraça humana que campeia neste planetóide esquecido no braço de Órion, num canto remoto da Via Láctea.
Quando há de cessar a mesquinhez sórdida que abandona crianças à própria sorte em nome da “maternidade e paternidade legítima?”

Penso que o que legitima a Maternidade e a Paternidade são os longos anos de vigília e cuidados na criação de uma criança.
Há quem alegue que tais crianças já trazem, das ruas, alguns vícios comportamentais que as incompatibilizam com a vida familiar; respondo que não é raro vermos um filho ou filha insultando a mulher que os amamentou, quando chega à fase púbere ou adolescente.

E que isso, muitas vezes, segue pela vida adulta com, isso é sabido por todos, o total desamparo de pai e mãe na velhice…

Quem não conhece aquela música de Sérgio Reis que falava nos sete filhos? Pois é…

O que eu quero dizer é que na adoção e na gravidez devemos ter as mesmas expectativas:

A criança que nasce pode ser uma benção ou não…

A mesma coisa com a criança adotada
Eu morei nas ruas por cinco anos.

Dos doze aos dezessete e tra-lá-lá…

Sei o que passei e o que vivi.

E o quão importante me era, às vezes, um copo de café com leite quente e um modesto pão com manteiga… Brindes raros, caríssimos, muitas vezes inalcançáveis… E esta situação mesquinha não para por aí.

São restaurantes jogando comida fora, prédios abandonados ao léu que poderiam servir de refúgio ou hospital, ou escola, ou creche, ou o que seja de útil para os menos favorecidos, mas…
Mas porra nenhuma

.

No mais das vezes só pensamos em nós mesmos, agindo em prol de nós mesmos, e em detrimento do bem comum que, em ultima análise, seria o bem de todos…
E nos esquecemos que podemos cair ainda hoje em profunda desgraça.
E, sabei, aquele que cai em desgraça se sente digno de amparo e auxílio, malgrado este não venha.

Então, o que caiu em desgraça sai à rua e toma para si, à viva força, ao preço de outras vidas humanas, aquilo que ele precisa, que lhe é necessário, e que lhe é negado redundantemente.
Aí são chamados criminosos.

E são presos.

E presos, são violentados em todos os seus direitos (os poucos que restaram); e são julgados e condenados.
Então são atirados ao presídio, escola de malfeitores, e, em poucos anos, voltam às ruas marcados pela pecha:

EX-PRESIDIÁRIO.

E este homem ou mulher, outrora um menino ou menina repletos de um potencial benéfico, com todas as possibilidades de se tornarem engenheiros, cientistas, professores, astronautas e tudo que o engenho humano foi capaz de criar (mas não foi capaz de distribuir), se torna um ser frio, calculista, que já não respeita mais nada, que perdeu, ou nem recebeu, todos os valores que, em conjunto, chamamos “moral.”
Mas é muito tíbia esta nossa moral.

Pois ela abandona à própria sorte, deixando à mercê da assistência social, todos aqueles que, por uma razão ou por outra, caem em desgraça e, desdenhados da sorte e da vida, não conhecem o sentido verdadeiro da palavra lar, dos fundamentos da família, dos prodígios que o afeto e os laços íntimos de uma moradia digna e segura estabelece entre seres humanos.

Pois que somos, a despeito de tudo, humanos, embora inconscientes.
É preciso que acordemos para as verdadeiras necessidades da vida e do mundo, ou ele só tenderá a piorar.
Defender privilégios até a “medula dos ossos” e fechar os olhos para a sociedade, em nome da saciedade, é coisa de apócrifos.
E muitos são os que roubam, solapam, dilapidam, extorquem os cofres públicos com o único fito de acumular mais do que se precisa para não se gastar nunca.
Certo político bem conhecido ouviu, de um Juiz francês, que a origem de seu dinheiro era, no mínimo, “curiosa…”
Alguém pode me definir dinheiro de origem curiosa, por favor?

Isso é um deboche. E ele ainda diz: “O dinheiro é de origem maravilhosa… ”

Ali Babá também considerava sua fortuna maravilhosa, é verdade. Mas pelo menos ele era um ladrão honesto, que usava uma espada e cavalos para enfrentar seus oponentes antes de saquear.
Já os ladrões de hoje fazem tudo sob o resguardo da lei, que perde, aqui, a letra capital, por perder completamente o sentido…

Chega.

Para mim basta.

E eu penso, agora, em quatro coisas diferentes.

Um casal gastando uma fortuna para tentar ter um filho.

Uma criança deitada na calçada da Avenida Ipiranga, em frente ao Edifício Copan.

Um técnico de laboratório “descartando embriões”.

E num grupo de engravatados tramando, com vinho à rodo, o próximo golpe a ser dado em nossos cofres.

Com isso, me despeço.

Vou tentar. Eu digo tentar dormir.

Durmam também. Se puderem.

Boa noite

São Paulo, 29 de julho de 2003

Claudio Santos de Souza

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